Um dos maiores desafios que encontrei ao cuidar dos meus pais — com 79 e 86 anos — é, sem dúvida, a organização dos remédios. Posso dizer que é um dos pontos que mais me testa a paciência, mesmo quando faço tudo com o maior carinho e dedicação. Eu separo com cuidado, coloco cada comprimido na sequência certa, marco com canetas coloridas para identificar, anoto tudo em papel bem visível e deixo a caixinha em lugar que eu julgo ser impossível não ver. Mesmo assim, sempre aparece um ou outro remédio fora do lugar, fora da caixa, em cima da mesa, perto do sofá, às vezes até escondido em algum canto que ninguém imagina.
Eles ainda têm acesso a toda a casa, conseguem se mover e fazer as coisas sozinhos, apesar de todas as limitações que a idade traz. Tem autonomia, e isso é bom, mas também é o que faz com que essas pequenas confusões aconteçam o tempo todo. E assim, todo dia eu repito as mesmas instruções: como tomar, qual horário, qual não pode faltar e qual não se deve repetir. E no dia seguinte, parece que é a primeira vez que ouvem.
Por que isso acontece? Entender é o primeiro passo para ter paciência
No começo, eu fiquei impaciente. Pensava: "Eu expliquei tão bem, eu separei com tanto cuidado, por que fez diferente?" Até que comecei a entender: não é teimosia, não é desobediência — é a idade.
Com o passar dos anos, a memória vai ficar mais fraca, a atenção se dispersa com facilidade, e aquilo que parece óbvio para nós, para eles se confundem. Eles não pegam o remédio fora do lugar para nos contrariar; pegam porque esqueceram onde estava, porque acharam que desviaram guardar de outro jeito, porque naquele momento simplesmente não se lembraram das minhas instruções. Repetir a mesma coisa vinte vezes não significa que eles não estão ouvindo — significa que precisam ouvir com calma, sempre.
NÃO É FÁCIL, É PRECISO COLOCAR EM PRÁTICA TODO AMOR!
✅ O que eu aprendi: formas práticas de lidar
Com o tempo, fui descobrindo maneiras de facilitar e de não perder a calma. Compartilho com você o que funcionou no meu dia a dia: POSSO DIZER QUE AINDA É MUITO DIFICIL!
🔹Deixar tudo o mais simples possível
Em vez de muitas caixinhas e marcações complicadas, optei por um organizador com divisões bem grandes, escritas em letra bem destacada, com os dias da semana. Menos núcleos, menos sinais, menos confusão. O mais simples é o mais fácil de lembrar.
🔹 Separar semanalmente, consultar diariamente
No domingo, separe todos os remédios da semana com calma. Mas todos os dias, quando posso, dou uma olhadinha rápida. Se algum está fora do lugar, guarde sem reclamação e sem brigar, apenas digo com precauções: "Aqui é o lugar dele, viu? Para não se perder." E pronto. Repito amanhã de novo, se precisar.
🔹 Entender que a autonomia deles é importante
Eles querem fazer por si mesmos, e isso é bom! Se não conseguir guardar certo, melhor que tente e erre do que pararem de tentar. O dia em que deixarem de tentar será o dia em que precisaremos fazer tudo por eles. Então, compactar cada fora do lugar é também um sinal de que ainda tem vontade e capacidade de se cuidar. Isso é motivo de gratidão, mesmo que dê um pouquinho de trabalho.
🔹 Não levar para o pessoal
Quando encontro remédios dispersam pela casa, respiro fundo e digo a mim mesma: "Eles não fazem isso para me irritar. Fazem porque estão envelhecendo, porque esqueceram, porque precisam de mim." Essa mudança de pensamento faz toda a diferença. Deixa de ser um problema deles e passa a ser uma parte do meu cuidado.
🕊️ A paciência é o nosso maior desafio e também o nosso melhor presente
Confesso que às vezes me canso. Trabalho fora do dia todo, cuido da casa, me preocupo com tudo, e quando encontro aquela bagunça nos remédios, dá aquela vontade de dizer: "Eu já expliquei tantas vezes!" Mas então eu olho para eles — com aqueles olhos serenos, com aquela cara de quem fez sem malícia — e percebo que a paciência que eu lhes dou hoje é a mesma que um dia eu precisarei receber.
Cuidar de idosos é também aprender a repetir sem cansar, explicar sem se irritar, corrigir sem magoar. Se os remédios saem do lugar, eu coloco de volta. Sem esquecer as instruções, eu repito. Se confundir os horários, eu lembro. E assim, um pouquinho a cada dia, vamos seguindo.
COM MUITAS DIFICULDADES MAIS MUITO AMOR TAMBÉM
💛 Para finalizar
Não há cobertura de perfeição. Não se culpe quando a paciência acabar. Colocar remédios de volta na caixinha, mil vezes se preciso para, não é perda de tempo — é demonstração de amor. Um dia, seremos nós naquela idade, confundindo as coisas, esquecendo instruções, precisando que alguém nos coloque de volta no lugar com carinho e paciência.
Então, quando encontrar um comprimido fora da caixa, respire fundo, sorria baixinho e diga: "Está aqui, vou salvar de novo." Eles não precisam de cobrança — precisam de calma, de carinho e de alguém que não se canse de cuidar 💛
"O melhor remédio que podemos oferecer aos nossos idosos não está em nenhuma caixinha. Está na paciência de repetir, na bondade de não reclamar e no amor de cuidar, mesmo quando tudo parece se confundir."
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